A gestação
A primeira consulta de pré-natal foi tensa. Bom, eu e meu esposo estávamos ansiosos e tensos porque tudo passava em nossa cabeça. Mas graças a Deus com a primeira imagem de ultrassonografia ficamos tranquilos. Um ser tão pequeno e nos mostrando que estava tudo bem.
A ansiedade de saber cada detalhe perfeito moldado por Deus. Fomos abençoados e presenteados com um anjo, mas anjo esse que veio para ficar em nossas vidas. Eu desejei como mãe, que não importasse o sexo, mas que viesse com muita saúde e bastante bagunceiro(a).
Foram passando os primeiros meses, e todos especulando que era menino ou menina. Eu não contava para as pessoas, mas o único que sabia de meus sonhos, era meu esposo.
De tanto ouvir que era uma menina e eu ainda nem sabia o sexo, comecei a ficar inquieta com isso. Muitas eram as pessoas que diziam que tinha que ser uma menina, pois eu ia ter uma vida feliz, como se eu não fosse e nem nunca fui. Mas era o que passava em minha cabeça. Parecia que enquanto eu tive meu filho Igor, eu não fui também feliz. Enfim, eu não tenho que provar mais nada além do que vivi, que fui feliz intensamente enquanto meu filho estava entre nós. E hoje continuo feliz por saber que ele não sofre mais.
Eu fiquei tão feliz quando soube que estava grávida de novo. E começava os sonhos. Tão surreal e lindo ao mesmo tempo, tão cheio de luz e alegria. Era uma menina toda de branco, vestido esse bem parecido com um de Batismo, um arco na cabeça, um sorriso nítido. Lá estava ela em meus sonhos quase por dias seguidos, ou ficava em frente a uma porta, ou a janela. Eu tive certeza que era uma menina que eu gerava.
Sabe, estava feliz e esperançosa em rever o obstetra que trouxe ao mundo meu príncipe. E ia fazer meu pré natal com ele, mas não teve como pois ele não atende mais pelo nosso plano. Fiquei tão sem chão e pensando em como fazer pré natal com outro médico (a). Eu só tinha duas alternativas: ou fazia com a obstetra que fui na consulta a alguns anos e não sabia como seria o atendimento, ou procurava por outro. E por indicação de uma conhecida fui numa obstetra que me arrependo profundamente de ter ido. Para começar, a consulta estava marcada para as 9h da manhã e só fui atendida as 18h. E mal atendida. Não sei como aguentei ficar lá esse tempo todo. A obstetra nem olhava para mim, e já foi pegando alguns papéis e anotando...em seguida foi ouvir o batimento do meu bebê. Um aparelho que mais parecia um tijolo por ter formato e peso igual. O barulho do coração de meu bebê? Simplesmente não tinha. Foi o que ela disse. E eu ouvia um chiado e mais nada. A obstetra disse que não conseguia ouvir o batimento e enfim, teve a conclusão que o meu bebê não tinha batimento. Como assim? Ainda assim me disse que era normal isso acontecer, me pediu uma penca de exames desnecessário.
Eu não queria falar nem com meu esposo, nada mesmo sabe. Ele esperava eu dizer algo no caminho de casa ou até mesmo em casa. Mas me calei e a vontade era de desaparecer, pois o que passava em minha cabeça, era que ninguém merece passar pelo que passei nessa consulta, nenhum ser humano merece ser tratado como uma máquina e que podem fazer o quiser, que temos que permitir.
Até o final do dia permaneci calada, e quando meu esposo pediu para eu conversar com ele, que não era para eu guardar para mim o que pensava e sentia, eu só sabia chorar e chorar. Ele sabia o que eu pensava e disse que não sou obrigada a gostar de nada. Não precisou eu dizer muito para que ele falasse a mim, que não gostou também da obstetra.
Mas começava do zero de novo a minha preocupação de que em qual médico iria.
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